Inovar para incluir: tecnologia apoia o engajamento de estudantes com deficiência

12/09/23

Especialistas em educação e professores falam sobre caminhos possíveis e propõem soluções para usar a inovação a favor da inclusão e da diversidade em sala de aula

 

A relação entre tecnologia e educação pode ser considerada fundamental nos dias de hoje, uma vez que as principais demandas para profissionais e cidadãos do século XXI estão ligadas às competências digitais. Além disso, após um período em que o Ensino Remoto foi a única possibilidade para muitos educadores e estudantes, é praticamente impossível pensar na educação sem o uso dos recursos digitais.

Nesse sentido, ampliam-se também as possibilidades de uso das tecnologias como instrumento para promover a inclusão e diversidade no ambiente escolar.

 

Quem faz e dá exemplo

A potencialidade da tecnologia na educação inclusiva já é explorada há anos por educadores e agentes da educação Brasil afora. Em matéria publicada no site do Porvir, plataforma de conteúdo e mobilização sobre inovações educacionais do Brasil, há exemplos de profissionais que inovaram para incluir.

A primeira demonstração vem do professor de História Glauco de Souza Santos, do Colégio Planck, em São José dos Campos (SP). Já em 2013, ele e outros educadores da instituição passaram a implementar o Ensino Híbrido. Junto com a aplicação de metodologias ativas, ele conseguiu tornar as aulas menos expositivas e mais participativas.

Como primeiro teste da união dessas estratégias, o professor aplicou o conceito de sala de aula invertida ao explicar conteúdo sobre regimes totalitários para o Ensino Médio. Os alunos assistiram a uma videoaula previamente gravada pelo educador e chegaram para a aula prontos para discutir o assunto. “Eu percebi que tinha algo no Ensino Híbrido que engajava os alunos com deficiência”, conta Glauco sobre a percepção depois da atividade.

Outro exemplo prático foi o formato escolhido para o trabalho acerca do tema “democracia na Grécia Antiga”. A partir do sistema de rotação entre estações, os alunos puderam escolher entre três atividades (pesquisar na internet, assistir a um vídeo do canal History Channel ou responder perguntas com o material digital do colégio) e trocar entre elas conforme seu próprio ritmo.

Dessa forma, o professor conseguiu entender as preferências e habilidades de cada aluno com determinado formato de mídia. Além disso, esse modelo é interessante para promover o envolvimento de toda a turma, inclusive de alunos com autismo e déficit de atenção.

 

Tecnologia para a inclusão social

O uso de tecnologias para uma educação mais inclusiva foi um dos grandes temas do enlightED, festival global organizado pela Fundação Telefônica Vivo e realizado em 2022.

Entre os pontos levantados por painelistas e considerados mais relevantes nessa discussão estão a necessidade de acesso e o letramento para o uso efetivo das tecnologias. Somente com a garantia dos ambos é possível direcionar e ampliar os resultados obtidos com a aplicação dos recursos.

De acordo com Oliver Trejo, especialista em direitos trabalhistas e um dos painelistas da edição mexicana do enlightED na mesa “Tecnologia para mudança e inclusão social”, é preciso ter um certo cuidado para que a tecnologia fortaleça também a inclusão social. “A tecnologia digital como meio deve estar acompanhada de ferramentas de acessibilidade, para que todos os segmentos da sociedade possam ser incluídos socialmente em diversos âmbitos”, defende.

A cidadania digital também foi destaque nos debates ao longo do evento. Afinal, segundo os especialistas, crianças e jovens devem entender a melhor forma de usarem as ferramentas digitais de forma consciente, segura e ética antes mesmo de desenvolverem competências digitais. Esse se torna um desafio cada vez mais latente para as escolas que devem ir além do currículo técnico para se tornarem, também, espaços de formação cidadã e humana.

Leia mais: Como a tecnologia ajuda a educação a promover diversidade e inclusão?

 

Inclusão na Lei

Aprovada em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) tem o objetivo de garantir a educação para pessoas com deficiência nas escolas públicas brasileiras. Apesar de considerar a possibilidade de matrículas de estudantes com deficiência em escolas especializadas, a determinação contribuiu para o estabelecimento de turmas mistas em qualquer escola da rede regular de ensino e impede a cobrança de taxas adicionais em instituições privadas.

Nesse sentido, a responsabilidade do investimento em estrutura e capacitação de professores passa a ser atribuída ao Estado. No entanto, ainda são encontrados problemas para a efetivação dessas medidas. De acordo com dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica, apenas 63,2% das escolas na zona urbana têm banheiros adaptados, por exemplo. Na zona rural, essa porcentagem chega a 31,2%. Ou seja, a inclusão também acaba por se configurar como um problema social.

 

Como colocar em prática?

De que forma é possível garantir a inclusão a partir do uso da tecnologia? É essa questão que o relatório “Equidade e inclusão na educação: encontrando força por meio da diversidade” busca responder. Lançado no início de 2023 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o material reúne seis etapas para promover equidade e inclusão nos sistemas de educação.

Entre os passos destacados está a identificação das necessidades principais dos alunos por educadores e gestores. Além disso, o suporte adequado dado por eles é a base para o desenvolvimento e garantia de bem-estar dos estudantes. 

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