Programação na escola estimula criatividade e uso crítico da tecnologia

12/09/24

Pesquisa mostra que apenas 13% das escolas brasileiras realizam atividades envolvendo programação; saiba com mudar essa realidade 

A linguagem é um processo de comunicação que está presente na escola de inúmeras formas. Desde a linguagem oral e escrita até a matemática e a artística, aprender a decodificá-las é fundamental para o desenvolvimento integral dos estudantes. E, assim como a língua é viva, há sempre novas linguagens sendo introduzidas no universo escolar.

Esse é o caso da linguagem de programação, que ganha cada vez mais espaço nas escolas brasileiras. No entanto, para que isso aconteça de forma ampla e democrática, é preciso que os educadores estejam preparados para utilizá-la de maneira descomplicada e com intencionalidade pedagógica.

Ao investigar iniciativas vinculadas mais diretamente ao pensamento computacional e à resolução de problemas, a pesquisa TIC Educação 2022 revelou que apenas 13% das escolas do país organizaram atividades de programação e/ou codificação, de acordo com coordenadores pedagógicos.

Fluência em programação

Sobre o número ainda baixo de escolas brasileiras que aplicam atividades pedagógicas com programação, o diretor-executivo da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa (RBAC) e pesquisador no MIT Media Lab (EUA), Leo Burd, afirma que, para além de questões de infraestrutura e conectividade, a vasta maioria dos educadores são de uma geração onde programar era algo incomum. 

“A maior parte do contato que temos com o computador é para acessar informação. Em formações docentes, muitas vezes a programação é ensinada de forma instrucional - e pouco criativa. É importante que os professores tornem seus estudantes fluentes em programação, para que possam expressar coisas que sejam significativas para eles.”

O especialista divide o ensino da programação na escola em dois eixos: o social e o pedagógico. “Vivemos em uma sociedade cada vez mais tecnológica. O computador, o celular, os pequenos aparatos tecnológicos fazem parte do nosso dia a dia e é importante que se desenvolva uma visão crítica sobre a tecnologia. Como ela amplia nosso potencial humano?”, questiona.

Já sobre o eixo pedagógico, Burd acredita que a programação “ajuda a refletir sobre processos, forçando a gente a pensar em resoluções de problemas. O compartilhamento de ideias também é bem importante, assim como explorar conteúdos de outras formas.”

Criatividade e uso crítico

Aos docentes interessados em aprofundar seus conhecimentos no tema, a plataforma Escolas Conectadas possui dois cursos com inscrições abertas e totalmente gratuitas, que emitem certificado reconhecido pelo MEC: “Programação criativa: produzindo jogos e animações” e “Olá, mundo! Lógica de programação e autoria”.

Ambos os cursos mostram como o domínio da programação empodera os estudantes, estimula a criatividade e promove o protagonismo, ao permitir que eles sejam criadores ativos de suas próprias soluções e narrativas digitais. “A programação é importante para incentivar as pessoas a criarem e fazerem um uso crítico da tecnologia”, observa Burd. “Aprender a programar de forma criativa ajuda a desenvolver esse senso crítico, incentivando a reflexão sobre como funciona um computador, quais são suas limitações e potenciais.”

Aos educadores que se interessam pela prática, Leo Burd sugere que eles reflitam sobre como a programação pode ser integrada à sua disciplina, buscando aplicar metodologias inovadoras - e evitando a instrumentalização. “Claro que é importante que ele se familiarize com os comandos, mas ainda mais importante é que já veja como trabalhar isso de forma integrada com o currículo.”

Plataformas para programar

O especialista sugere também duas plataformas para os educadores que queiram dar os primeiros passos em programação: o OctoStudio e o Scratch, que também é utilizado no curso “Programação criativa: produzindo jogos e animações”, que está com inscrições abertas até o dia 29 de setembro. Ambas são gratuitas, de uso livre e com uma interface visual simples, de programação em blocos, permitindo que estudantes de todas as idades criem histórias, jogos e animações digitais. “São ferramentas que podem ajudar a democratizar a programação”, reforça Burd. 

Hoje, o Scratch já tem mais de 100 milhões de usuários e mais de um bilhão de projetos compartilhados online. Já o OctoStudio, que funciona tanto no celular como no tablet e pode ser usado offline, é inspirado na realidade brasileira, permitindo que crianças e jovens criem personagens e cenários e se identifiquem com a ferramenta, facilitando a conexão da escola com a comunidade.

Por fim, há também a Code.org, referência mundial quando o assunto é aprender a programar. A ferramenta apresenta os principais conceitos de programação de um jeito divertido para todas as idades, além de totalmente gratuita e traduzida para o português. Nela, há mais de 315 milhões de projetos publicados.

“A programação é uma literatura do futuro, uma nova alfabetização”, define o especialista. “No momento, é algo essencial para conseguir um trabalho e, mais do que isso, é importante para desenvolver cidadãos críticos e ativos”, finaliza.

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